Arco-íris
A menina entrou no
metro com a irmã, o pai e a mãe.
Família branquinha.
Sentou-se ao lado de
um negro muito simples. Estava um pouquinho apertadinha, com a irmã, juntinhas no
mesmo assento.
Mas logo se encaixou e
se aconchegou no negro. Repousou a cabeça no seu ombro.
Os passageiros do
banco da frente olharam. Os pais sorriram.
Todos se entreolharam.
Pensaram... porque já muito viciados em pensar preconceitos. Em estranhar coisas.
Eu também?
Porque escrevo isso?
O negro começou a
justificar. Que as crianças são puras. Que sentem a energia das pessoas e por
isso se aproximam ou se afastam.
Que a menina sentia
que ele era bom...
Ela nem escutava nada.
Quietinha, com a cabeça recostada no ombro dele. Sorria. Feliz porque todos a
olhavam. Mas sem nem sonhar porquê.
O negro continuava:
que as crianças não veem cor, apenas sentem o que é bom, o que faz bem, o que
não dá medo.
Se justificava. Pra
quem? Era preciso?
Porque ele precisava
explicar algo que já soubemos quando éramos crianças e as convenções, os preconceitos,
as injustiças, os interesses inculcaram equívocos na nossa cuca.
Ele se levantou porque
ia descer logo na próxima. Veio pra mim.
Que o escutava. Que o entendia e que tinha vontade também de pôr a cabeça no
seu ombro e sonhar com esse mundo assim. Puro como ele. Como a criança. Um
mundo ideal. Legal!
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