terça-feira, 13 de setembro de 2016

Arco-íris

A menina entrou no metro com a irmã, o pai e a mãe.
Família branquinha.
Sentou-se ao lado de um negro muito simples. Estava um pouquinho apertadinha, com a irmã, juntinhas no mesmo assento.
Mas logo se encaixou e se aconchegou no negro. Repousou a cabeça no seu ombro.
Os passageiros do banco da frente olharam. Os pais sorriram.
Todos se entreolharam. Pensaram... porque já muito viciados em pensar preconceitos. Em estranhar coisas. Eu também?
Porque escrevo isso?
O negro começou a justificar. Que as crianças são puras. Que sentem a energia das pessoas e por isso se aproximam ou se afastam.
Que a menina sentia que ele era bom...
Ela nem escutava nada. Quietinha, com a cabeça recostada no ombro dele. Sorria. Feliz porque todos a olhavam. Mas sem nem sonhar porquê.
O negro continuava: que as crianças não veem cor, apenas sentem o que é bom, o que faz bem, o que não dá medo.
Se justificava. Pra quem? Era preciso?
Porque ele precisava explicar algo que já soubemos quando éramos crianças e as convenções, os preconceitos, as injustiças, os interesses inculcaram equívocos na nossa cuca.

Ele se levantou porque ia descer logo na próxima.  Veio pra mim. Que o escutava. Que o entendia e que tinha vontade também de pôr a cabeça no seu ombro e sonhar com esse mundo assim. Puro como ele. Como a criança. Um mundo ideal. Legal!

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